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Leitura Adicional

ACADEMIA | Simpósio 4 do VI SIMELP - Literatura Brasileira: relações e incursões entre história, cultura, política e língua (V)


29 November 2017 | By ptadmin | SISU

SIMPÓSIO 4 – Literatura Brasileira: relações E INCURSÕES entre história, cultura, POLÍTICA e língua

 

Resumos dos trabalhos aprovados (continuação)

Comunicação 17

Exaustão midiática do escritor em O ano em que vivi de literatura de Paulo Scott

Autora: Elizabeth Gonzaga de Lima – UNEB/Procad; PUC-Rio/CAPES – betylyma@gmail.com

Resumo: Quais implicações da cultura midiática na subjetividade e no ofício do escritor? A sociedade contemporânea bombardeada por imagens da mass media, pela emergência em escala exponencial do sujeito termina por configurar a civilização do espetáculo no sentido proposto por Vargas Llosa (2014) e promover a espetacularização do eu. Nesse contexto, a figura do escritor desloca-se para a centralidade da cena, tornando opaca a obra literária. Segundo Paula Sibília (2014), o ato de criar se converteu em objeto de culto ao se instalar sob os holofotes, transformando o corpo do artista no principal alvo dos espectadores, daí a figura do autor passar a ocupar o centro da cena. Tendência que pode ser vislumbrada na literatura brasileira contemporânea, sendo atomizada pelas mídias e redes sociais que convocam o escritor a transitar, interagir por diversos dispositivos e, sobretudo, estar em evidência. No livro O ano em que vivi de literatura (2015), do escritor gaúcho Paulo Scott, o protagonista Graciliano é agraciado com o maior e mais reconhecido prêmio literário do Brasil em 2011. Ironicamente, o ano em que pode viver exclusivamente da literatura é aquele em que o escritor menos produz, não consegue vivenciar plenamente o universo literário, mas antes, mergulha de forma errática no mundo do entretenimento. Para compensar o vazio criativo, Graciliano simula no Facebook a personagem espetacularizada de um escritor postando poemas e comentários superficiais para angariar curtidas e manter seu perfil em evidência diante de seus prováveis leitores, o movente público de usuários das redes sociais. A partir da visão irônica e cáustica do romance no que tange à relação do escritor com o mercado editorial e seus atores, a escrita, as estratégias das mídias, o trabalho pretende examinar as imposições da cultura midiática que levam à exaustão a figura do escritor na contemporaneidade.

Palavras-chave: Cultura midiática; Exaustão; Subjetividade; Espetacularização; Escritor.

Minibiografia: Doutora em Teoria e História Literária pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Professora Adjunta da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), do curso de Letras e do quadro permanente do Programa de Pós-graduação em Estudo de Linguagens. Atualmente desenvolve estágio de pós-doutoramento na equipe do Projeto Capes/PROCAD Escritas contemporâneas: desafios teórico-críticos (2014-2018), que reúne PUC-Rio, UNEB, UEFS e PUC-Goiás.


Comunicação 18

A literatura como arquivo: narrativas sobre a ditadura brasileira

 

Autora: Eurídice Figueiredo – UFF/CNPq – euridicefig@gmail.com

Resumo: Apesar do enorme trabalho de historiadores e jornalistas, só a literatura é capaz de recriar o ambiente de terror vivido por personagens afetados diretamente pelas arbitrariedades da ditadura. A ficção não é sinônimo de fantasia e de imaginação, ela consiste em uma estratégia para tornar a narrativa mais legível e até inteligível, sendo parte intrínseca do ato de narrar. Só a literatura é capaz de suscitar a figuração do Outro, do diferente, aquele que não podemos conhecer se não sairmos de dentro de nós mesmos. Só através da literatura podemos vislumbrar o Outro que nos habita, porque a identidade só se perfaz no encontro com a alteridade, inclusive nossa própria alteridade. Nos últimos 50 anos, dos primeiros dias após o golpe de 1º de abril de 1964 até o presente, escritores têm produzido todo tipo de texto, mas, sobretudo, narrativas, de cunho ficcional ou não-ficcional, sobre os desmandos da ditadura. Esse material pode ser, também, considerado como arquivo, pois ele dá conta do estado de exceção que constituiu aquele momento histórico. Os arquivos, em sentido estrito, são documentos de leitura árida reservados aos especialistas, enquanto a literatura atinge um público amplo. Diferente do arquivista e do historiador, o escritor de literatura, ao se debruçar sobre a memória e o arquivo, cria ficções ou não ficções a fim de dar um testemunho pessoal da história. O autor encontra no leitor um elemento ativo na transmissão da memória a fim de que não se apague aquilo que afetou a vida da nação. Neste texto apresentarei uma pequena parte desse já imenso arquivo literário que tematiza a ditadura brasileira, discutindo questões que envolvem a tortura, o desaparecimento de militantes presos e o exílio.

Palavras-chave: Literatura e ditadura; Trauma; Arquivo e memória.

Minibiografia: Fez Graduação em Letras Neolatinas na UNESP (Assis, 1968), Mestrado (1979) e Doutorado na UFRJ (1988). Atualmente é professora aposentada atuando no Programa de Pós-Graduação em Estudos de Literatura na Universidade Federal Fluminense (UFF). Publicou Mulheres ao espelho: autobiografia, ficção e autoficção (EdUERJ, 2013), Representações de etnicidade: perspectivas interamericanas de literatura e cultura (7Letras, 2010), além de artigos em obras coletivas e revistas nacionais e internacionais. É pesquisadora do CNPq.


Comunicação 19

Reflexões em torno de romance histórico e metaficção historiográfica

Autora: Helena Bonito Couto Pereira – Universidade Presbiteriana Mackenzie – helenabonito.pereira@gmail.com

 

Resumo: Este estudo tem por objetivo refletir sobre as relações entre literatura e história. Ambas se expressam por meio de relatos, mobilizando personagens em eventos transcorridos no passado próximo ou remoto. Na perspectiva de um estudo comparado entre essas áreas do conhecimento, ou, mais especificamente, entre história e narrativa ficcional, discute-se como historiadores e ficcionistas elaboram diferentes versões do passado. Mesmo que se refiram a protagonistas, episódios e tempos similares, as narrativas divergem entre si, a começar pelo pacto com o receptor: ao passo que a narrativa histórica visa apresentar os fatos com apoio documental, expondo criteriosamente o modo como teriam ocorrido, a narrativa literária usufrui a liberdade inerente às manifestações artísticas, que, em lugar de reproduzir o real, lançam mão dos mais variados recursos expressivos para lograr sua recriação estética. O emprego desses recursos depende do estilo e da criatividade de cada ficcionista, determinantes para o surgimento de diferentes modalidades de narrativa histórico-literária, como o romance histórico tradicional e a metaficção historiográfica. Trata-se, portanto, da adoção de uma metodologia comparativa, com base em teorias sobre a escrita da história (Peter Burke; Hayden White), sobre o romance histórico (Antônio R. Esteves; Marilena Weinhardt) e sobre a metaficção historiográfica (Linda Hutcheon), sendo esta última a mais relevante no conjunto destas reflexões. Na metaficção historiográfica recria-se o passado com base em seus vestígios textualizados (Hutcheon, 1991, p.157), em clara oposição à perspectiva única, monológica, abrindo espaço para a enunciação de vozes outrora silenciadas. A narrativa metaficcional permite ao narrador indicar que não se empenha em obter alguma (impossível) imparcialidade, nem tampouco é movido pelo desejo de estabelecer uma (inexistente) verdade incontestável. Constitui o corpus da pesquisa o romance Viva o povo brasileiro, publicado por João Ubaldo Ribeiro em 1984 e imediatamente reconhecido como uma das obras mais instigantes de nossa literatura. Reinvenção da vida cotidiana na Bahia em uma cronologia irregular, ao longo dos séculos XVII e XX, essa narrativa protagonizada pelo povo, como se infere de seu título, recorre magistralmente a ironia, sátira e paródia para, empregando múltiplas vozes, subverter o registro tradicional da formação da nação brasileira.

Palavras-chave: Romance histórico; Metaficção historiográfica; Viva o povo brasileiro; João Ubaldo Ribeiro.

Minibiografia: Doutora em Letras (Língua e Literatura Francesa) pela Universidade de São Paulo (1995). Fez estágio pós-doutoral na Universidade da Califórnia em Riverside (2006). É docente permanente no Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Presbiteriana Mackenzie, instituição em que desempenha as funções de Pró-Reitora de Pós-Graduação e Pesquisa e Coordenadora de Publicações Acadêmicas. É Coordenadora do GT História da Literatura da ANPOLL – Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Letras e Linguística. Coordena o Grupo de Pesquisa “Literatura no contexto pós-moderno” na UPM e é Editora Associada da Revista Todas as Letras (Qualis A2).


Comunicação 20

Intelectuais e minorias em O fim do terceiro mundo, de Márcio de Souza, e Amazônia em chamas, de John Frankenheimer

Autores:

Henrique Roriz Aarestrup Alves – UNEMAT/UFMG ­– hralvess@hotmail.com

Kelly Pellizari – UFMT/PUC-Minas – kypl_pl@hotmail.com

 

Resumo: Esta proposta de trabalho tem o intuito de estudar as representações da floresta amazônica na Literatura Latino-americana e no Cinema, investigando, assim, os modos de imaginar a selva e seus significados, bem como seus habitantes, as visões externas, do estrangeiro, do colonizador ou do amante platônico da floresta. Conhecer a Amazônia a partir de obras literárias, como O fim do terceiro mundo, de Marcio de Souza, e de obras cinematográficas, como Amazônia em chamas, de John Frankenheimer, pressupõe, principalmente, compreender os modos como a cultura concebe e imagina a floresta, estabelecendo, também, uma relação entre o local e o universal que envolve, direta e indiretamente, questões identitárias, interculturais, geográficas, políticas e econômicas. Nesse processo, a região de Mato Grosso entra em conexão com questões mais amplas de âmbito nacional e internacional, já que a floresta amazônica envolve o Brasil e países vizinhos.

Palavras-chaves: Floresta amazônica; Imaginário; Selva.

Minibiografias: Henrique – Doutorado em Literaturas de Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Brasil(2008). Membro do Colegiado Regional da Universidade do Estado de Mato Grosso. Kelly Pellizari – Doutoranda em Administração pela PUC-Minas. Possui Mestrado acadêmico em Administração, pelo Programa de Pós-Graduação em Administração da PUC-Minas. Graduação em Administração (2009) e Letras (2012), especialização em Língua Portuguesa e Literaturas, ambos pela Universidade do Estado de Mato Grosso (2011).

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